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Matéria publicada na Revista de História da Biblioteca Nacional sobre a exposição apreendida.

06/12/2009

Pra não dizer que ninguém deu noticia…

Link direto para a reportagem

A beleza mora à margem

Em BH, apreensão de exposição sobre artesãos de rua

Adriano Belisário

4/12/2009
Sentados no chão das grandes cidades, milhares de artesãos expõem diariamente seus trabalhos na expectativa de vendê-los aos transeuntes. Um fato comum, mas que atingiu dimensões inesperadas em novembro na capital mineira.  No início daquele mês, viaturas, cavalarias e dezenas oficiais foram às ruas para “limpá-las” dos vendedores. A abordagem foi presenciada pelo fotógrafo Rafael Lage, que decidiu clicar as formas e cores dos artesãos, sem imaginar que seria o próximo alvo da abordagem policial.
  • 0024.12.000.370-2A exposição das fotos ocorreu na rua, ao lado dos próprios fotografados. Após algumas tentativas, os fiscais da prefeitura de Belo Horizonte retiraram e apreenderam os trabalhos no dia 18. “A utilização do espaço público para a realização de alguma atividade, como um evento ou exposição, depende de prévio licenciamento. Se for constatada alguma atividade acontecendo sem a devida licença, a mesma é passível de ser interrompida e os equipamentos utilizados apreendidos”, informa a prefeitura.Por outro lado, Rafael Lage acredita que a retirada dos materiais teve uma razão bastante diversa. “Os fiscais queriam impedir a continuidade do trabalho porque ele dava visibilidade ao grupo sobre o qual exercem grande pressão. Foi censura e para justificar a ação enquadraram a exposição como obstrução de via pública, uma lei criada para o recolhimento de lixo e entulho”, denuncia.Com trabalhos já expostos fora do país, como no Museu da Descoberta do Novo Mundo, em Portugal, Rafael afirma que a armação construída pelos próprios artesãos para sustentar as fotos ocupava apenas 25 centímetros da calçada. As quinze imagens encontram-se agora sob posse da prefeitura, que só irá liberá-las após o pagamento de uma taxa que atualmente gira em torno de R$ 800.

    “A multa não foi paga, coisa que me nego categoricamente em fazer até a decisão da justiça sobre o caso. Mas o valor já foi inscrito na dívida ativa do município, o que me impede  de regularizar minha documentação para participar de concorrências públicas. Isto compromete e muito os meus trabalhos, pois faço cobertura fotografia de projetos ligados ao Governo do Estado”, diz. Atualmente, o caso está na defensoria pública de Minas e já foi encaminhado ao Tribunal de Justiça, que deve dar seu parecer em uma semana.

    Após passar seis anos viajando pelo Brasil trabalhando como artesão, Rafael Lage decidiu observar o grupo social através das lentes fotográficas e se deparou com nuances quase invisíveis. “Estudando mais profundamente, descobri que diversos pontos feitos por eles eram utilizados a centenas de anos no oriente. Todas estas técnicas se misturaram ao artesanato indígena e a ourivesaria portuguesa. Não podendo mostrar o lado da repressão que sofrem. Busquei o caminho inverso, resolvi mostrar a beleza das pessoas e o fazer artístico deles”, relata.

    Enquanto aguarda a decisão judicial sobre o assunto, Rafael continua fotografando grupos de artesãos e relata a saga pela recuperação das obras em um blog na internet. E, caso consiga reavê-las, não pretende mudar sua exposição de local: “O lugar dela é na rua, ao lado dos fotografados. Assim que a justiça anular a multa e devolver o material, voltarei com ele às ruas”, promete.

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3 Comentários
  1. Mirko Hadal permalink

    Sou servidor publico municipal, e sei como isso funciona.
    Voces devem requerer na prefeitura local a abertura de um inquérito administrativo acusando os responsáveis pela ação por abuso de poder. Tentem isso marcando uma audiencia com o prefeito.
    Deveriam ir também à camara municipal e pedir a um vereador que simpatize com a causa a abertura de uma CPI para tratar do assunto.
    Mas muito provavelmente, deve ter havido da parte do responsável pela operação algum mal entendimento sobre alguma norma de proibição de comercio ambulante. Mas parece que estão querendo imitar o choque de ordem que está havendo aqui no Rio de Janeiro, porém nesse choque de ordem, ninguem se meteu com os artezãos e artistas de rua.
    Boa sorte aí pra voces.

    • Rafael permalink

      Olá Mirko. Gostaria realmente crer que o choque de ordem no Rio não alcança os artesãos, mas as informações que tenho são outras. Segundo alguns amigos da estrada, a prefeitura tem uma equipe que sai recolhendo os artesãos e moradores de rua, os coloca dentro de um ônibus e os encaminha para um abrigo municipal de modo forçado. Ou então oferece uma passagem para a cidade mais próxima. Existem denúncias de apreensão de bens pessoais como mochilas e ferramentas, tal como aqui.

  2. decius384@hotmail.com permalink

    são poucas as coisas que me fazem minha pele arrepiar…abaixo a represão…so assim todos unidos conseguiremos..

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