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Factoide sensacionalista do “Jornal O Tempo” criminaliza artesãos nômades e busca legitimar perante a população o abuso de poder da Gerência de Fiscalização da Prefeitura de Belo Horizonte.

01/05/2011

  

Resumo do post:

Matéria sensacionalista publicada no Jornal O Tempo criminaliza a conduta dos artesãos, conhecidos como “hippies”, que exercem e expõe sua arte na Praça Sete, acusando a Polícia Militar de negligência e omissão perante a situação. Em resposta, a Polícia Militar, acompanhada dos fiscais da prefeitura, realizaram uma mega-operação no local, na qual foram cometidas irregularidades e abuso de poder contra os artesãos.

No dia 28/4/2011, o Jornal O Tempo publicou uma matéria intitulada “Com maconha liberada, praça Sete vira Amsterdã mineiraveja aqui.  

A noticia já começa equivocada, afinal, em Amsterdã ninguém fuma maconha na rua e sim em Coffee Shops destinados a isso. Mas como toda matéria sensacionalista, precisa de um título de impacto.

Na sequência apresentam algumas fotos de pessoas enrolando e fumando cannabis sativa na praça Sete, centro de Belo Horizonte. As fotos mostram um grupo de jovens que, claramente, não correspondem ao grupo conhecido como “hippie”, e um suposto artesão consumindo a erva.

Com o claro intuito de criminalizar os artesãos nômades (conhecidos popularmente como “hippies”) que expressam e expõe sua arte na Praça Sete há décadas, a matéria noticia que “um grupo de hippies prepara os cigarros de maconha”, generalizando e endereçando a ação de alguns indivíduos a um grupo histórica e socialmente marginalizado pela sociedade (lembremos que o uso da cannabis sativa já não se configura como crime desde 2006).

Não bastava esse fato para que a matéria alcançasse seu objetivo, eis que surge uma testemunha que não se identifica e afirma que “Fumam maconha, pedem esmola de forma agressiva e, às vezes, praticam pequenos furtos e defecam nas calçadas”. Uma acusação claramente fabricada para legitimar o teor de criminalização que a matéria tenta imprimir, já que não existe nenhum relato de furto cometido na Praça Sete por artesãos nômades, tampouco alguma autuação referente ao ato de defecar na praça. É importante lembrar também que em nenhum momento a reportagem procurou ouvir os artesãos e publicar sua versão dos fatos.

 A matéria prossegue, desta vez acusando a Policia Militar de ser conivente e apática com relação à situação:

“Em nenhum momento, enquanto os flagrantes eram feitos, os usuários foram abordados por policiais”

“A maioria dos comerciantes disse já ter acionado a Polícia Militar para resolver o problema“

“A sensação de insegurança é tanta que nenhum dos entrevistados quis se identificar”

“Gostaria que a polícia acabasse com isso aqui” Depoimento de um suposto comerciante.

“O que os frequentadores da Praça Sete veem todos os dias, a polícia parece não conseguir flagrar”

A pressão parece ter surtido efeito antes mesmo da matéria ter sido publicada pois, na segunda feira, dia 25/4/2011, a polícia intensificou as  batidas na Praça Sete, em conjunto com a fiscalização do município, batidas estas que acontecem sistematicamente há pelo menos 7 anos e são denunciadas por mim há pelo menos 2 anos. As batidas policiais especificamente voltadas para os artesãos e a apreensão dos trabalhos artesanais pela Gerência de Fiscalização seguiram acontecendo nos dias 26, 27, e 28 . Além de trabalhos artesanais, a Gerência de Fiscalização, respaldada pela Polícia Militar, apreendeu também matérias-primas usadas na fabricação dos artesanatos, tais como fios de arame, rolos de linhas, sementes e pedras, além de confiscar as ferramentas de trabalho, tais como alicates e martelos, e como se não bastasse isso, também foram levados cobertores e até mesmo as mochilas dos artesãos. (*Veja os vídeos no post abaixo).

Mas a grande repressão ocorreu no dia 29/4/2011, sexta-feira, um dia após a publicação da matéria no Jornal O Tempo. Com um contingente de 40 policiais militares e 30 fiscais da prefeitura, acompanhados de três canais de televisão e todos os grandes jornais de Belo Horizonte, teve início uma operação policial na Praça Sete. A prefeitura alardeou em seu site a “mega operação” e fez questão de qualificar os artesãos como “toreros ou camelos”, desqualificando a profissão de artistas de rua e o conteúdo ideológico deste grupo.

Só para constar, ressalto que em todos estes dias (do dia 25/4 ao dia 29/4), ao longo de no mínimo 6 operações no local, apenas um servente de pedreiro foi preso portando cannabis sativa.

Antes de apresentar as denúncias de irregularidades e abuso de poder que ocorreram nesta ação conjunta do poder público, da Policia Militar e  da mídia, vamos retornar à matéria do Jornal O Tempo e conhecer um pouco sobre Magali Simone, jornalista que assina a matéria.

Em seu perfil no linkedin.com (veja aqui), a jornalista descreve sua “longa” atuação na imprensa: trabalhou 6 anos como office-boy na Visão Total S.A. (de 1995 a 2001) e após um hiato de 8 anos (2001 até março de 2010), trabalhou na assessoria de imprensa, como free-lancer, para a Serjus/Anoreg-MG, atividade que se inicia em março de 2010 e se encerra em outubro de 2010. Contratada há apenas 4 meses pelo Jornal O Tempo, esta é a segunda vez que Magali Simone se envolve em uma matéria sensacionalista, criminalizando grupos sociais marginalizados pela sociedade, o que curiosamente, em ambos os casos, servem aos interesse da Prefeitura de Belo Horizonte. Estes temas foram, inclusive,  reproduzidos no site da prefeitura veja aqui e aqui.

Em 13 de março de 2011, Magali Simone assinou a matéria “GOLPE – Sem-teto negociam lotes em acampamento por até R$ 12 mil,veja aqui. A matéria segue a fórmula aplicada na abordagem feita aos artesãos da Praça Sete: uma denúncia isolada, que generaliza e estende a ação de um indivíduo à 887 famílias que fazem parte da ocupação Dandara. Mais uma vez, o Jornal O Tempo não ouviu os moradores do local, além de citar acusações de furto sem mencionar boletins de ocorrência e baseados na denúncia de uma pessoa que não se identifica.

A matéria gerou grande repúdio e várias instituições e pessoas manifestaram-se contra a matéria do jornal. Uma rápida busca no google sobre as tags “magali simone dandara” pode mostrar as reações da população.

Voltemos agora à operação realizada na Praça Sete, no dia 29/04/2011. A tríade polícia-prefeitura-mídia chegou por volta de 11:30 da manhã. Haviam 15 artesãos no local e além deles, foram fiscalizados outros dois populares que estavam na praça. Os artesãos foram encostados na parede e revistados minuciosamente, não tendo sido encontrada droga alguma. Enquanto estavam encostados na parede, sob coação da Polícia Militar, os fiscais iniciaram seus trabalhos e começaram a confiscar os bens dos artesãos.Rasgaram e destruíram vários de seus trabalhos, além de que levaram ferramentas (alicates e outros) e matérias-primas para a confecção de sua arte, tais como fios de arame, linhas, sementes e pedras. Os restos dos materiais destruídos foram colocados dentro de sacos plásticos e lacrados, porém, dos 15 artesãos fiscalizados e que tiveram materiais apreendidos, apenas um recebeu o auto de infração e apenas porque a mídia o entrevistou. Os outros foram ignorados em um direito garantido pela constituição:

Artigo 5, paragrafo VIII – “Ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal”.

O artesão Genivaldo, que já havia perdido seus trabalhos duas vezes na mesma semana (na terça, 26/4 e na quinta, 28/4), se indignou ao ver suas ferramentas e matérias-primas sendo recolhidas, tentou intervir e foi impedido por um policial, que ameaçou prendê-lo. Revoltado, disse que estavam roubando não só os seus bens particulares, mas sua própria dignidade. Foi-lhe dada voz de prisão por desacato a autoridade.

Um popular que assistia a tudo e nada tinha a ver com a historia, indignado, manifestou-se contra a operação e o Gerente de Regulação Urbana da Regional Centro-Sul, William Nogueira, deu-lhe voz de prisão, solicitando a presença de um militar para o procedimento. Este indivíduo foi preso, como se fazia nos tempos da ditadura.

Ao todo foram 3 pessoas presas: um servente de pedreiro, que portava pequena quantidade de maconha para consumo próprio, um popular, que se indignou com o que viu e um artesão, que não ficou calado ao ver suas ferramentas e matérias-primas serem apreendidas.

Que fique claro, a infração dos artesãos alegada pela prefeitura é o comercio de produtos sem autorização em via pública. Como ser artesão não é crime, não existe justificativa legal que ampare a apreensão das ferramentas, matérias-primas e outros bens pessoais como mochilas e cobertores.

Ao fim da operação, os artesãos ficaram indignados e começaram um protesto pacífico na Praça Sete, no qual pediam esmolas aos transeuntes, explicando que a prefeitura havia  roubado suas ferramentas de trabalho.

Os artistas estão realizando um abaixo assinado junto à população e dizem que se tornarão mendigos, mas que não irão embora do local. O Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua está acompanhando e dando assistência aos artesãos no caso.

Na minha visão, como testemunha dos fatos que ali ocorreram, denuncio as seguintes irregularidades:

– A fiscalização ultrapassou suas prerrogativas ao confiscar bens pessoais, como ferramentas e matérias-primas, além de mochilas e cobertores.

– Não foram lavrados os autos de infração e entregues aos artesãos, contrariando o Artigo 5 da Constituição Federal brasileira, parágrafo VIII – “Ninguém será privado de seus bens sem o devido processo legal”. Acompanhei ainda dois artesãos que, ao solicitarem os autos, foram informados de que deveriam buscá-los na 6a. Companhia da Policia Militar. Ao chegarem lá, o próprio gerente de Regulação Urbana da Regional Centro-Sul, William Nogueira, na presença do Major Adriano (responsável pela região central de BH), disse-lhes que realmente não havia lavrado os autos e que se quisessem teriam de ir à sede da Gerência de Fiscalizações.

– Um popular foi preso por manifestar sua contrariedade à ação, fazendo-o de forma pacifica, sem desferir palavrões ou mesmo aumentar o tom de voz.

– Um artesão, ao ver um direito seu ser violado, manifestou-se contra e foi preso.

Links relacionados:

Veja a entrevista da jornalista Magali Simone sobre a matéria em um programa de tv

Reportagem sobre a operação do dia 29/4, Tv Alterosa

Matéria do Estado de Minas

Cruzada contra os Cabeludos

Veja as fotos:

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From → Sem categoria

26 Comentários
  1. Calma, gente. Nas palavras do nobilíssimo Jader Barbalho (que vi no documentário Manda Bala), “graças a Deus no Brasil existe o Poder Judiciário” …

  2. rafael perpetuo permalink

    um absurdo. o jornalismo tá cada x mais decadente. e n se preocupem, para essas coisas o MP anda funcionando. eles tem se preocupado em “denunciar” as irregularidades da polícia. vamos acompanhar!!!

    • Quando falei do Poder Judiciário, eu estava sendo irônico. E, se o Ministério Público em BH for semelhante ao de Araguari, no Triângulo, então não esperem empenho, isenção e observação à Constituição.

  3. Ihhh… sei não. Esse blog tb não tá muito IMPARCIAL não.

    • Rafael permalink

      Com certeza, concordo contigo. Acredito que a imparcialidade proposta dentro do jornalismo é uma hipocrisia. Não existe ideologia mais difundida e aceita que não seja o capitalismo, logo, ela permeia e contamina a maior parte dos nossos meios de comunicação, ficou tão comum que até esquecemos que é uma ideologia, dentre tantas outras que existem, mas a aceitamos como se fosse verdade a priori dos fatos.

      Não tenho a pretensão de mostrar toda a complexidade multifacetada dos fatos, até porque eu não conseguiria. Se quiser saber o outro lado da história, você terá 3 canais de televisão e os três principais jornais de Belo Horizonte. Mas a verdade que aparece neste blog, não aparece em nenhum outro lugar.

  4. Jane mrgareth permalink

    Isso “autoridades”, parabéns!!!!
    Vamos incentivar esses artesãos, trabalhadores a roubar, pois o que voces “autoridades” estaõ fazendo isso sim: É roubo!!! Roubo da dignidade de um ser humano,roubo da ferramenta de quem está trabalhando, e o que é pior, roubo da nossa arte! Tirem esses artesãos, que não são hippies vagabundos como voces falam, tirem eles de lá e deixem nascer ali uma nova cracolhandia!!!!!!!!!!! Aí sim, voces terão trabalho para mostrar, o que voces “autoridades” estão criando, um antro de vagabundos, de prostitutas e vagabundos. Ah, ia me esquecendo da placa: Sejam BEM VINDOS a nova cracolândia! Vão tomar vergonha nessas cara de madeira e deixem o povo trabalhar, vender sua arte.jane

  5. Nikolas Spagnol permalink

    Excelente analise. Os hippies estao sendo perseguidos numa tentativa de “limpar” a Praca 7 pra Copa do Mundo. Recomendo a leitura do meu texto sobre o tema no site http://www.ahcidade.com.br

    • Rafael permalink

      Muito bom o texto por sinal, está linkado na matéria acima também.

      Abraços.

      • Nikolas Spagnol permalink

        Obrigado, e sucesso com seu blog!

  6. Galera, o Vitorio Medioli, dono do jornal, já defendeu em editorial testes compulsórios em toda a população brasileira para identificar os usuários de drogas e encaminhá-los a um tratamento forçado!
    A metária portanto segue a mesma linha editorial do dono…

    • Rafael permalink

      Com certeza camarada. Você pegou no ponto, a linha editorial determina essas noticias.

  7. Daniel Iglesias permalink

    Como eu fiz as fotos para essa matéria vou acrescentar algumas informações e opiniões para esta discussão.
    Na segunda-feira 25/04 recebi às 09hs da manhã uma pauta na qual eu deveria ir à Praça 7 para fazer flagrantes de consumo de maconha. Fui acompanhado pela repórter Magali Simone que, como eu, recebeu a ordem de se deslocar para a Praça para verficar esta denúncia (uma pessoa que se identificou como comerciante da região entrou em contato com o jornal e fez a denúncia – é o que sei). Ao chegar na praça 7, por volta das 10h30 da manhã me separei da repórter e subi para o prédio ao lado. De uma sacada, em um espaço de tempo de 30 minutos fiz as fotos (3 situações: 2 em que os ambulantes fumavam maconha e 1 com transeuntes), como fui identificado saí do local onde estava e guardei meu equipamento. Enquanto isso a repórter entrevistava os comerciantes; cheguei a acompanhar uma delas. Daí e das conversas com a repórter enquanto retornávamos para a redação posso afirmar que os depoimentos que aparecem na matéria não são inventados, como afirma este post (enquanto fotografava, 3 comerciantes da galeria do rock tb vieram conversar comigo e reclamaram de algumas atitudes dos ambulantes – eles não foram entrevistados); concordo que os ambulantes deveriam ter sido ouvidos. Porém, tentar desqualificar a repórter expondo seu currículo, além de ser uma bobagem, é um engano, já que como repórter ela estava, tanto nessa matéria quanto na da Dandara, seguindo ordens da chefia de redação (não vou entrar nos méritos do papel, autonomia e responsabilidades de repórteres e editores dentro de uma redação pq, além de ser fotógrafo e participar de um processo de trabalho diferente, este assunto rende muito e foge um pouco da questão). Como repórter fotógrafico posso afirmar que muitas vezes ficamos muito afastados dos processos de apuração e elaboração da matéria, uma posição comôda que aceito e com a qual convivo repetidamente (esse caso foi um deles: participei desta matéria descuidadamente, sem questioná-la e sem pensar nas suas consequências) . Por enquanto é isso. Não vou discutir a posição do jornal, pq isso poderia me custar meu emprego. *(postei este comentário originalmente no facebook)

    • Rafael permalink

      Olá Daniel, assim como para você, o espaço esta aberto para a Magali se manifestar se ela assim quiser.
      Agora, se permite vou pontuar algumas de suas falas. Este post não afirma que os depoimentos são inventados, não sei onde você viu isso, eu apenas coloco o quão frágil se torna o argumento diante uma acusação tão grave, cadê um boletim de ocorrência? A reportagem é irresponsavel e sem provas acusa todo um grupo de cometer pequenos furtos e cagar no local. Ora, o trabalho de um jornalista é averiguar a fonte e comprovar os fatos, não sair dando voz a todo tipo de acusação que se faça. Óbvio que os comerciantes não gostam da presença dos artesãos, e óbvio que na ausência de uma justificativa válida eles irão dizer qualquer coisa, mas não é por isso que se vai publicar qualquer bobagem. Caro Daniel, eu não usei o currículo da jornalista para desmerecer o trabalho dela, sinceramente a matéria do jornal já o faz por si, citei o currículo apenas para comprovar o que aparece no jornal, ou seja, uma repórter que não tem experiência. E o que eu não disse no texto, mas aproveito pra falar por aqui, é que jornalistas como Magali Simone, são usadas geralmente para manifestar opiniões do editor do jornal, afinal, jornalistas com mais experiência e carreira não se deixam cavalgar facilmente por editores. Só para citar um exemplo claro, na reportagem “PM reage a denúncia de tráfico”, Magali afirma que 33 pessoas foram presas por fumar maconha na praça Sete e diz que 20 delas seriam hippies. Já no programa de tv onde ela fala sobre a matéria, ela afirma que “33 hippies” foram presos por fumar maconha. Ou seja, ela sai dando informações e se contradizendo, e afinal, ainda questiono qual o critério que vocês utilizaram para definir o que é hippie ou não.

      Pra finalizar, Magali estava pessoalmente no dia em que estes abusos de poder aconteceram, porque ela não citou estes fatos? Ela vai dizer que não viu? Todo mundo viu, tinha 3 canais de televisão, vários fotógrafos e ninguém mostrou nada. É que todos estão muito acomodados com esse modelo falido de fazer jornalismo, só posso chegar a esta conclusão.

      Embora você esteja confortável em não se questionar sobre as consequências do seu trabalho, eu lhe digo que vocês são co-responsáveis por estes abusos, pois geraram uma onda de se fazer justiça por uma coisa que nem é crime mais e o que parece é que tudo se justifica para combater os artesãos baseado em denuncias da boca pra fora.

      E vocês não darem espaço para o artesão se manifestar foi de uma covardia ímpar. Maior covardia que isso, é querer justificar o injustificável.

      • Fernando Biagioni permalink

        discordo da afirmaçao que fotografos são co-responsáveis por estes abusos. Fotografos sao compiladores de evidencias historicas. Acho que o pessimo jornalismo praticado no brasil que influencia em tudo isso. A invencao de manchetes sem fundamento nao é de hoje.
        Por outro lado, uma foto equivale a uma prova incontestavel de que determinada coisa aconteceu. A foto pode distorcer, mas sempre existe o pressuposto de que algo existe, ou existiu, e era semelhante ao que esta na imagem. Fotografos sao historiadores. Nao jornalistas.

      • Rafael permalink

        Olá Fernando. Quando citei a co-responsabilidade, me referia ao conjunto da obra. Eu entendo e respeito seu ponto de vista. Acho pertinente. Mas também entendo que podemos escolher ou não participar de determinada empresa ou instituição, uma vez que estamos dentro, damos respaldo as atitudes da mesma. Embora respeite sua opinião, não consigo fragmentar a responsabilidade, mas esta é minha visão, não quer dizer que eu esteja certo.

    • Rafael permalink

      Daniel, uma última observação. De fato o seu trabalho de reportagem fotográfica foi bem sucedido, não tiro os seus méritos. O que me indignou realmente foi a matéria ter centralizado a questão em torno dos hippies, quando suas imagens mostram um diverso grupo de pessoas fazendo uso do mesmo. A outra questão que me indignou é suas fotos serem alardeadas como uma grave denúncia, deixo aqui a pergunta, denúncia do que realmente? Afinal, desde 2006 o uso de cannabis não é crime. Suas fotos mostram o óbvio, se fuma maconha em todos os cantos de Belo Horizonte, assim como em todas as grandes capitais do mundo. Se ela acontece debaixo dos viadutos e ninguém vê, tudo bem, ai naum é problema. Se acontece na Savassi ou na praça do papa, ninguém quer saber, pois pode descobrir que é um filho seu, ou filho de alguma pessoa importante. O que deixo claro é que o tema da maconha é apenas uma cortina de fumaça, para encobrir uma série de preconceitos e estigmas que se associam os artesãos. E o seu trabalho, independente da sua intenção, serviu a estes propósitos.

    • Nikolas Spagnol permalink

      Triste a vida do jornalista brasileiro. Vejam o relato do colega Daniel Iglesias: recebeu uma “ordem” da chefia de fazer as fotos, pensa que a reportagem poderia ter sido feita de maneira diferente, porém questionar a posição do jornal pode lhe custar o emprego, portanto prefere se acomodar com isso. Este é o ambiente de trabalho tirânico das redações dos jornais, a contestação não é permitida, as relações de trabalho se pautam por uma hierarquia brutal, o fotógrafo e o repórter não têm poder de decisão no resultado final das matérias em que assinam. É mesmo injusto condenar os profissionais da imprensa – eles estão apenas “cumprindo ordens” dos barões donos dos órgãos de mídia.

  8. Gabriel permalink

    Daniel a grande injustiça esta em vocês tratarem e julgar os artesão como ambulantes e camelos, a fiscalização aprendem as artes dos artesão baseando eles como ambulantes e camelos, sendo que não são pois eles mesmos criam suas artes para vender, vocês em hora nenhuma disseram na televisão que expressão artística é livre de autorização e imposto, então quer dizer que se vocês tira uma foto dum assaltante do banco e falam que aquele lá é um hippie todos os artesão vão pagar o pato?você fotografo que vendeu seu amor ao próximo pelo seu emprego, com certeza não será feliz em sua vida pois plantou a desgraça alheia, hora nenhuma vocês pensaram que ali estão pessoas que vivem e dependem só de suas artes pra viver, que ali a maioria não são de Belo horizonte, e mesmo assim vocês participaram de um grande incentivo de roubar a unica forma de sobrevivência dessas pessoas e mais suas mochilas que são seus bens, vocês que plantaram toda essa desgraça não tão nem ae, pq vocês tem tudo e não ligam de tomar o pouco que o artesão nômade tem, Saiba que ali estão pessoas como vocês, irmãos seres humanos. como vocês se vendem por tão pouco, dinheiro, saiba que esse dinheiro seu é amaldiçoado pois veio da desgraça alheia!!! é triste ver pessoas assim, depois não reclamem que não são felizes!!!

    • Daniel Iglesias permalink

      E vc Gabriel, o que vc faz para contribuir com o fim do mundo?

  9. Cara, obrigado pelo belo registro que vc fez dessa inacreditável aberração repressiva em pleno século XXI. Tomei a liberdade de copiar algumas fotos aqui e vou postar no meu blog também, pois só hoje fiquei sabendo, mas estou muito indignado e revoltado como todos que lutam pela liberdade e cidadania.

    • Rafael permalink

      Camarada, e o pior é que isso não é um flagrante raro, BH ainda guarda muitos resquícios de autoritarismo. Concordo contigo, é terrível nos dias de hoje ainda existir uma política repressiva com esse caráter criminal. Mas estamos levando a denúncia à frente, por meios legais. Em breve darei noticias.

      Abraços.

  10. Ok! Tentei linkar seu blog no meu, mas dá algum tipo de erro que não sei qual é. Nem no post está dando pra linkar, já conferi se digitei certo e o problema não é esse. Tentarei depois e te aviso. Abraço.

    • Problema resolvido. Consegui linkar teu blog no meu site. Espero que pelos menos umas 2 pessoas venham cá: um amigo e minha namorada. São os únicos leitores fiéis que tenho…rsrsrs. Abraço e conte comigo!

  11. brasileiro indignado permalink

    brasil é uma pais de merda mesmo! as pessoas nao podem nem trabalhar nessa merda! eles nao estavam matando nem roubando estava trabalhando só isso!

    • Paulo Roberto Bacelar Rodrigues permalink

      Gostaria de parabenizar a vcs pela luta e por trazer a publico a verdade de pessoas que são discriminadas e criminalizadas no seu direito de viver do jeito que gostam sem ofender nem desrespeitar ninguém, apenas afrontam a nós mesmos no nosso comodismo e muitas vezes em vidas que se tornam sem sentido por seguir aq2uilo que é determinado como normal ,lembrando que o que consideramos normal numa sociedade caótica e decadente que vivemos deveria ser objeto de análise,ser livre incomoda por que também gostaríamos de ser e não temos a coragem para dizer não a essa sociedade de consumo e altamente militarizada a ditadura ainda mnão acabou, para alguns, pois para outros nuncca existiu, não precisam da permissão de nenhum sistema , nem de governo pra se declararem livres!

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