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Polícia Militar de Belo Horizonte reprime artesãos na Praça Sete (+vídeo)

22/06/2011

Caros, segue um depoimento sincero e importante. Meus agradecimentos a Pedro Carvalho e a Flávia Balbino, que também tiveram a coragem de documentar essa política repressiva de caráter criminal praticada pelo município, com o apoio da Policia Militar de Minas Gerais.

Matéria originalmente publicada no Diário Liberdade.

160611_policial_praca_seteDiário Liberdade – Publicamos o relato do vídeodocumentarista Pedro Carvalho Moreira, sobre a atuação da Polícia Militar de Minas Gerais reprimindo artesãos que vendiam seus produtos em famosa praça no centro da capital mineira, a Praça Sete de Belo Horizonte. Esta repressão violenta e arbitrária ocorre num contexto de higienização promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte, sob a administração de Márcio Lacerda (PSB). Durante a preparação da cidade para a Copa do Mundo de 2014 o cenário é cada vez pior para diversos setores da cidade, especialmente para os pobres da capital. O Ministério Público de Minas Gerais ainda não se pronunciou perante este grave desrespeito aos direitos humanos. Segue a íntegra do depoimento com vídeos.


[Pedro Carvalho Moreira] Eu e Flávia Balbino estávamos fazendo um trabalho no Centro de Belo horizonte (Praça Sete), no dia 13 de maio de 2011 e acidentalmente nos deparamos com uma cena chocante: Um artesão (que aparece neste vídeo) estava sendo literalmente enforcado em praça pública pelos policias, enquanto outros eram revistados aos pontapés. Sem exagero! Sendo enforcado com os dois polegares no gogó! Motivo? Ele reivindicava, enquanto era algemado, que os policiais devolvessem o trabalho que demorou meses para terminar. Como aquilo chamava a atenção das pessoas ali presentes, um dos policiais decidiu que essa era a melhor maneira de calá-lo.

Eu observava em choque toda aquela cena promovida pelos policiais, mas quando o artesão começou a mudar de cor (foi ficando avermelhado), por reflexo gritei pedindo que o policial parasse. Alguns argumentaram que foi irresponsável da minha parte fazer isso, afinal o senso comum é que mexer com polícia é muito perigoso. Que contradição! Mas a situação era aterrorizante. Um dos policiais, um Cabo, partiu em minha direção com a mão na no cinturão segurando firmemente sua pistola no melhor estilo do Capitão Nascimento e berrou: “VAI TOMAR CONTA DA SUA VIDA”. Eu disse que aquilo estava acontecendo com minha vida, afinal, eu estava ali. A resposta foi aos berros e a testa do policial chegava a tocar na minha: “VAI TOMAR NO CÚ FILHA DA PUTA!” Eu ainda tentei argumentar que ele não tinha direito de falar assim comigo e nem de tratar os artesãos daquele jeito. Algumas pessoas tentaram me apoiar, mas tinham medo, e ele continuou: “AQUI A COISA É ASSIM MEU IRMÃO!” E evidenciava o revolver na cintura.

Depois, quando questionado pelas pessoas em relação a sua postura, respondeu com ironia: “Manda ele ir na procuradoria, vai! Vai ver o que acontece! Acontece NADA!”

Acompanhado por um senhor tentei conversar com os superiores que estavam ali. Um deles, uma mulher, me respondeu assim: “Num tenho tempo pra isso não!” Depois fui instruído pelo policial, que aparece neste vídeo apontando o dedo na cara de um artesão, que deveria denunciá-lo na procuradoria. Então eu questionei: “O senhor é responsável aqui e não vai dizer nada?” E ele respondeu: “A procuradoria é um órgão que serve para isso.” Que incentivo…

Esse mesmo senhor que me acompanhava tomou a iniciativa de tentar dialogar com o policial que, nesse momento, já tinha um sorriso estampado na cara e conversava com os colegas. Eu observava de longe, mas o Cabo não hesitou em executar vários gestos ameaçadores com o indicador bem próximo do rosto dele, que obviamente desistiu de tentar dialogar e foi embora.

O final da estória nem é preciso dizer. O artesão foi levado à viatura com violência, mesmo com os pedidos desesperados de sua mulher (ou namorada), que acompanhava tudo aos prantos.

Flávia Balbino, fotógrafa, que presenciou tudo, sintetizou perfeitamente o sentimento depois do ocorrido: “Parece que presenciei um trágico acidente de carro.” Ela estava em posse de uma câmera, mas foi orientada por comerciantes a não usá-la caso não estivesse assegurada, pois câmeras já haviam sido danificadas por policiais em outras ocasiões ali. Ainda assim, Flávia conseguiu fazer algumas imagens que, infelizmente, não mostram o abuso policial, mas mostram a revolta dos artesãos após a repressão.

Sexta-feira, 13 de Maio de 2011, Praça Sete, Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pedro Carvalho Moreira é vídeodocumentarista.

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2 Comentários
  1. paunoseucú permalink

    Você ainda não viu nada menina

  2. A mão de quem tem vergonha do que faz ou tem vergonha do prazer reprimido, vermes!

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