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A criminalização do artista – Como se fabricam marginais em nosso país

14/08/2011

A criminalização do artista – Como se fabricam marginais em nosso país from Rafael Lage on Vimeo.

 

 

Abril de 2011. A intolerância ao diferente apoiada por uma campanha de higienização social em Belo Horizonte, assume ares de politica repressiva de caráter criminal.

À administração municipal, policia militar e mídia se associam na tarefa de criminalizar o artista de rua, artesãos nômades portadores de um patrimônio cultural brasileiro que deriva da resignificação do movimento hippie das décadas de 60 e 70. Uma cultura com mais de 40 anos.

Mas quem criminaliza o estado?

Com expressões próprias na arte, na música e no estilo de vida, os artesãos são perseguidos, saqueados em seus bens pessoais e presos por desacato ao exercer a legitima desobediência civil.

Artigo 5º da Constituição Federal:
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

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13 Comentários
  1. Maurício permalink

    Quem é você, Rafael? O que você precisa pra levar essa mensagem adiante? Dou meu apoio.

    • Rafael permalink

      Maurício, todos os que estão envolvidos neste trabalho são artesãos que viajaram na estrada. A questão é que agente resolveu se apropriar das ferramentas de mídia e contar nossa história.

      Camarada, precisamos de muitas coisas, até agora estamos fazendo tudo na tora, como você pode ver os videos tem uma edição super mal acabada, as imagens não tem tratamento, as legendas mal dá pra ler, porque eu tive de fazer, mas nunca tinha editado video. Na verdade todos os que participam deste trabalho são amadores que nunca utilizaram equipamento de filmagem, eu mesmo não tenho nem segundo grau completo, mas agente é sagaz e sabemos ler as leis. E eu nem vou descrever todos os outros sacrifícios que fazemos para que todo este trabalho venha a tona, mas saiba, damos literalmente a vida para essa causa.

      Este trabalho tem duas vertentes, a primeira é da denuncia, que esta praticamente pronta. A segunda é o inventario da cultura do “maluco de estrada” (vulgarmente chamado hippie). Que já vem sendo realizado, mas que pra ser completo falta muito ainda. Até agora rodamos 8 estados, sempre “na tora” sem recursos mesmo.

      Acreditamos que é hora de abrir pra sociedade não só a repressão que os “malucos” vem sofrendo, como também abrir nosso universo, de modo que as pessoas saibam realmente quem somos. Não fizemos isso até hoje para preservar o movimento e nossas características, mas diante a eminente deterioração da nossa cultura, por consequência da repressão, ficou inevitável não explicitar nossa realidade.

      Em breve postarei alguns textos muito esclarecedores sobre o tema.

      Abraços pra ti!

  2. Logo que vi o vídeo fiquei indignada, muito triste que coisas assim ainda aconteça em nosso país, tomei a liberdade de posta-lo no meu blog, sei que me era permitido, e leia o cometário que um frequentador do blog fez:
    “Que vergonha do nosso país!!
    Sabe, eu moro em Florianópolis e aqui são vários os artistas de rua. Muitos sofrem coisas parecidas com o que foi mostrado no documentário, mas existem alguns grupos de proteção. Especialmente ligados a ONG de pescadores e artesanato da parte mais pobre e menos habitada da Ilha. As duas grandes Universidades da Cidade, UDESC e UFSC, fingem que não existe arte de rua, que são todos marginais. Seguem a linha de pensamento da grande mídia, mais rasa impossível. Mas o engraçado é que, todo ano, as mesma Universidades Públicas autistas, organizam um Simpósio sobre Movimentos Alternativos e Arte de Rua. Ou seja, a hipocrisia está no sistema em geral. Não existe nada que se salve nesse país de merda, nem mesmo em uma cidade como Floripa, que historicamente é hippie e livre. Triste!”

    Conte com o meu apoio sempre, força na caminhada.
    Abraços
    Denise

    • Rafael permalink

      Olá Denise, tudo é permitido com relação a este trabalho, já que ele não é um produto. E graças a você e outros que se identificaram com esta causa, estamos burlando a grande mídia que jamais deixaria essa informação circular. Seu blog é um dos que mais encaminha pessoas ao video, estava vendo isso nas estatísticas.

      Muito grato pela dedicação!

      Abraços…

  3. Cécilia permalink

    Rafael, muito massa o trabalho de vocês!! Edifiante.. Me reconheci no video “A criminalização do artista – Como se fabricam marginais em nosso país” qdo o “indignado” esta sendo preso por não concordar com o que ele vê.. quase que aconteceu comigo um mês atras. Sou antropologa francesa e morou no nordeste desde dois anos, tinha voltado ha pouco no meu pais qdo vi uma altercação muito violenta contra um jovem – de cor (as realidades são muito similiantes apesar da distancia, né?!) – eu fui pedir explicações pro policial e ele simplesmente me respondeu “cala a boca puta”. Cheguei num estado de raive tal que corri pra ir em cima dele, furiosa. Falamos da PM e do Brasil, mas essa situação é uma doença mundial onde os poderosos tentam nos privar de nossas primeiras liberdades. A luta tem que continuar e sobretudo se espalhar pelo mundo. Ninguém fara a gente se calar!

    Mando daqui tudo meu apoio, abçs.

  4. aimprensa permalink

    Olá, Rafael, meu nome é Willian Dalazem e sou estudante de jornalismo da UFMT, gostaria de saber que lei é essa que impede a comercialização desse tipo de mercadoria, se seu vigor é nacional, estadual ou nacional, sua disposição e onde se encontra registrada, desde já, muito obrigado e parabéns pelo belo trabalho.

    • Rafael permalink

      Olá Willian…A questão é justo essa, a ausência de regulação sobre o tema, ou de uma politica pública. O que questionamos aqui é a interpretação equivocada de que o artesão nômade seja um camelô, esta é a lei que esta sendo utilizada para reprimir os artesãos. Neste sentido, apenas a “convenção para a proteção e promoção para a diversidade cultural”, documento da Unesco ratificado pelo Brasil através de decreto legislativo, defende a distinção do produto cultural criado por eles, conferindo dupla natureza (tanto comercial como cultural) a este produto.

      Neste post você terá todas estas informações de modo mais claro: https://belezadamargem.wordpress.com/2011/08/18/385/

      Mas quer saber a verdade, isto não tem nada haver com comércio. A repressão aos artesãos é ideológica, a questão do comércio é apenas pretexto.

      Abraços.

  5. Eu trabalhei ali durante anos…. Aqueles caras não são hipies. Não tomam banho, usam a praça pública para urinar, fazem arruaças muitas vezes, se comportam como mendingos pedindo comida e trocados. E antes mesmo da lei ser discutida, eles se drogavam publicamente naquela região. Quem é de lá sabe que a maioria que ali fica não é hipie.

    De qualquer forma eu desaprovo qualquer abuso da autoridade. A polícia não deveria levar os materiais de artesanatos deles.

    Tbem acredito que a questão é mais profunda do que realmente vemos.

    Abraços

    • Rafael permalink

      Olá Daniel, respeito sua opinião…Mas peço que você considere minhas palavras. Afinal, o que você ou a grande maioria da sociedade sabe sobre o que é ser “hippie”? Teriam vocês conhecimento para interpretar esta cultura ou mesmo identifica-la? O que aponto aqui é a imensa dificuldade em interpretar a diferença entre um artesão, um morador de rua, um “nóiado”…A grande maioria das pessoas nem se importa se existe esta distinção. Se você conhece o local, sabe que ele é um espaço público, com todo o tipo de gente, concentrar as mazelas em um grupo exótico e desconhecido é mais fácil do que se preocupar em entender a complexidade de realidades que ali co-existem. De fato, para o artesão nômade, a rua é sua casa e por consequência, quem são a família deles? Os que também nela moram. Então existe sim solidariedade entre os grupos e até certo ponto eles se misturam. Mas isso não quer dizer que sejam todos iguais. Embora para a grande população despreocupada em separar as coisas, tudo se pareça o mesmo.

      Vou deixar uma pergunta aqui, a policia militar tem duas câmeras de video no local, o chamado “olho vivo”. Ou seja, tudo que ali acontece esta registrado. Porque nunca foram divulgadas imagens que comprovem estes erros dos artesãos que a sociedade tanto aponta?

      Pra encerrar, nos dois anos que desenvolvi este trabalho, acompanhei artesãos que chegaram ali com toda energia, saudáveis, trabalhando e que depois de todos estes abusos cometidos pela prefeitura, acabaram por se entregar as drogas e viraram moradores de rua. Pessoas que foram degeneradas pelo sistema. Então, antes de criminalizar os artesãos, pense em criminalizar as instituições que usam o seu dinheiro para estas ações. Vamos mais longe, pense nos que estão em Brasilia e que amanhã, com o seu, com o nosso dinheiro, vão estar em algum hotel de luxo 5 estrelas com um monte de prostitutas menor de idade, cheirando cocaína e rindo de nossa passividade.

  6. Fábio permalink

    Parabéns pelo trabalho de vocês. Quanto ao vídeo, fica a vergonha que senti simplesmente por ser humano. O que vocês estão fazendo, através das denúncias e textos, presta importantíssimo serviço de informação para os ainda alienados e para nossos irmãos menos evoluídos. É essencial manter a calma, pois nessas aglomerações de vira-latas do Estado, a energia é explosiva. Evitar qualquer faísca é de bom-tom. O caminho é lutar por uma maior expressividade das leis humanas pelos humanos, associar-se a movimentos que também reconhecem as grades ao nosso redor e buscar representantes para auxiliar a mudança dessa visão deturpada que rege esse sistema podre e hipócrita. É mais fácil escrever do que fazer, infelizmente. Abraço a força, a todos os irmãos!

  7. Tábata Kruger permalink

    Olá Rafael!
    Esse “documentário” direcionou o tema do meu projeto cientifico (TCC, curso de Serviço Social), o qual trabalhará a arte e desemprego: a inserção dos artistas de rua no trabalho informal como fonte de renda e sobrevivência.
    Como é o cotidiano destes profissionais, a precaridade do trabalho, bem como das políticas públicas, sem falar na ausência do Estado?

    Me identifico com a causa e é por ela que optei em lutar.

    Gostaria muito de tirar algumas dúvidas contigo,
    não tenho certeza se você é um dos produtores do vídeo, mas ainda que não seja, tenho algumas questões em minha mente recheada de utopias
    (:

    pode ser, piá?

    • Rafael permalink

      Oi Tabata, pode ser sim. Vou lhe mandar um e.mail e agente conversa.

      Grato por se envolver!

      Abraços!

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  1. No seu aniversário « garotas azuis

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