Skip to content

Malucos de Estrada – os remanescentes do que se chamou o “movimento hippie” no Brasil (por Eduardo Marinho)

16/12/2012

Malucos de Estrada – os remanescentes do que se chamou o “movimento hippie” no Brasil

Em 1980 “peguei a estrada”. Desde essa época, convivi com a repressão institucional permanente, a discriminação social e a estranheza geral. COm os anos, os filhos foram nascendo e a nossa mobilidade tinha que ser imensa, mudando de lugar – de cidade, de região – a cada vez que as dificuldades impossibilitavam uma vida digna. Para comer bem, abríamos mão da moradia e tínhamos que nos virar pra resolver os probleminhas cotidianos, viajando de carona, cidade em cidade. Uma vida dura, embora rica de experiências, vivências e aprendizados.

Perdi a conta de quantas vezes fui atacado pelas forças de segurança – indiferentes ao meu princípio de não causar prejuízo ou qualquer tipo de mal às pessoas -, tive meus trabalhos tomados violentamente, apreendidos sem condições de recuperá-los, tendo que começar novamente do zero. Injustiças cotidianas com os que tentam levar a vida de forma diferente do modo angustiante e sem sentido que nos impõem – é a estratégia de um Estado controlado por grandes empresários, onde se plantam idéias criminalizadoras contra todos os que não se submetem a esse esquema tirânico que inferniza o mundo. E que só é interessante pra os poucos ricos, que usufruem da exploração do trabalho, dos luxos e excessos que custaram os direitos da imensa maioria, roubada em instrução e em informação – pra não permitir condições de entender e reagir.

Consegui superar a revolta, mas é uma sensação estranha você estar lutando com tantas dificuldades pra ter uma vida menos vazia de significado, pra resistir às imposições convencionais, pra sobreviver, e ter o fruto do seu trabalho tomado por pessoas uniformizadas, sob a proteção de armas e da própria lei – com base nos tais “códigos de postura” dos municípios que violam a própria constituição federal. Afinal, as guardas municipais seguem antes as leis municipais que a constituição, que eles nem conhecem.

Esse filme que se propõem a realizar é um marco na história nunca contada dessa enorme e heterogênea coletividade que se lançou nas estradas, ao nomadismo, à contraposição ao esquema convencionado como o único possível. Infinitas histórias diferentes, com o denominador comum da repressão, da estranheza e da discriminação. E da resistência, da criatividade e da insubmissão, pra seguir vivendo.

Aqueles que puderem ajudar essa realização, estarão contribuindo pra lançar luz nessa parte tão obscura da nossa história cultural, nessa realidade tão desconhecida e tão marginalizada, com o trabalho da mídia e das instituições que sempre desqualificam e perseguem aqueles que não seguem os padrões impostos. Será um filme precioso. Até pra entender alguns modos de ação dessa nossa sociedade tão injusta, hipócrita, covarde, genocida e suicida.

Abraços a todos,
Eduardo.

Para acessar o blogger Observar e absorver – de Eduardo Marinho, e acessar o texto acima, clique aqui.

Anúncios

From → Sem categoria

Deixe um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: