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Ato de protesto contra a repressão aos artesãos em Campo Grande – MS

10/06/2013

Artesãos nômades, popularmente conhecidos como “hippies”, realizam protesto no centro de Campo Grande e pedem audiência com o prefeito.

Amanhã, terça feira, dia 11/06/2013, haverá uma manifestação no calçadão da praça Ari Coelho, próximo à Av. Afonso Pena. O ato terá inicio as 14:00hs e contará com uma exposição de fotografias que revela a riqueza do universo dos artesãos nômades, além de cartazes e exposição dos artesanatos dos artistas, que em clara desobediência civil assumem os riscos de contrariar a determinação dos fiscais da cidade e irão expor sua arte no espaço público, de acordo com o Art. 5º, paragrafo IX: ” é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”. A finalidade do protesto é conseguir uma audiência com o prefeito da cidade, no intuito de esclarecer a importância de se respeitar a identidade cultural do movimento.

O evento será documentado em vídeo pelo coletivo Beleza da Margem, que nos últimos quatro anos vem realizando um documentário sobre a vida dos artesãos e já passou por 16 estados do Brasil. O coletivo também desenvolve um processo de luta política no município de Belo Horizonte, Minas Gerais, onde, atualmente, através de uma Ação Civil Pública contra o município (ver em anexo), conseguiu recuperar mais de 50 sacolas de artesanatos apreendidos e liberar a presença dos artesãos no espaço público.

Para mais informações sobre a luta em Minas Gerais ver:
http://belezadamargem.com/
http://belezadamargem.com/hippie-ou-maluco-de-estrada/

Após 4 meses, Hippies voltam a praça 7 – Jornal Hoje em Dia
http://www.hojeemdia.com.br/minas/apos-quatro-meses-hippies-voltam-a-praca-7-1.53664

Hippies retomam mercadoria – Jornal “O Tempo”
http://www.otempo.com.br/cidades/hippies-retomam-mercadorias-1.253246

Entenda o caso em Campo Grande:

Os Artesãos Nômades, popularmente conhecidos como “hippies”, tem sido duramente reprimidos pelos fiscais da cidade de Campo Grande. Nos últimos dias, houveram apreensões dos trabalhos artesanais e até mesmo um artesão foi preso por suposto desacato a um guarda municipal que conduziu a abordagem com violência.

Os artesãos argumentam que são a expressão de uma manifestação cultural brasileira ainda não visualizada e não reconhecida pelas instituições. Fruto da influência do movimento hippie no Brasil, mas atravessada pelas influências da cultura indígena, afro-brasileira e o contexto político da ditadura, os “Malucos de Estrada” (nome pelo qual os artesãos se reconhecem) é o resultado de 40 anos de hibridismo cultural, que deu origem a uma manifestação contra-cultural brasileira específica.

Um paralelo pode ser feito com a “Baiana de Acarajé”, que possui claras influências de uma matriz cultural africana, mas que, no Brasil, assumiu uma característica especifica e única. Assim se sentem os artesãos nômades, influenciados pelo movimento hippie norte-americano, mas que nos dias de hoje possui uma identidade especifica.

O contexto de repressão às manifestações culturais não hegemônicas é antiga no Brasil, bastando lembrarmo-nos da capoeira, que foi considerada crime de vadiagem por anos, até ser reconhecida como um patrimônio cultural brasileiro.

A prefeitura de Campo Grande alega que o atual Código de Policia Administrativa, em seu artigo 11, diz: “É proibido embaraçar ou impedir por qualquer meio o livre trânsito de pedestre e veículos nas ruas, praças, calçadas, estradas e caminhos públicos…”.

Os artesãos, por sua vez, observam que o código do município afronta a Constituição Federal, que em seu Artigo 5, paragrafo 9, diz:”É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica, independente de censura ou licença”.

Os artesãos reconhecem o direito da prefeitura em regulamentar o uso do espaço urbano, mas invocam o principio da proporcionalidade, onde o agente público deve levar em conta as características da situação ao aplicar uma lei do município. Segundo os artesãos, sua manifestação artística não impede, nem obstrui, o caminho das pessoas. Ao contrário, sua presença no espaço público harmoniza o ambiente, oferece exposição de arte gratuita, gera intercâmbio cultural, divulga a imagem do país e reforça o sentido da verdadeira democracia, onde mesmo um grupo minoritário tem o seu direito a existir dentro de sua singularidade.

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