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Resumo do primeiro Encontro das BR, realizado em Brasília de 7 a 11 de agosto de 2015

28/08/2015

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Resumo do primeiro Encontro das BR, realizado em Brasília de 7 a 11 de agosto de 2015 e os desdobramentos da luta pelo reconhecimento da malucada como uma manifestação cultural brasileira.

Texto por Rafael Lage

*Veja a nota do ministério da cultura sobre a reunião: http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/id/1284192

Há duas revoluções acontecendo. Uma é institucional, é a luta para esclarecer as instituições governamentais da legitimidade da malucada em utilizar o espaço público. É conquistar o reconhecimento da malucada como uma manifestação cultural Brasileira. É ter reconhecido o seu rico patrimônio de técnicas artesanais que dá forma ao “trampo de maluco”, é ter a rádio cipó, o mangueio, o intercambio cultural, o sentimento de família, todo esse rico universo cultural que o maluco vive, sendo reconhecido como uma forma legitima de ser e estar no mundo.

São 50 anos de movimento, sempre com forte interferência do poder público, reprimindo, violentando e roubando. Essa força destrutiva do estado contra a malucada deixou sequelas. Isso vai se somar com o contexto violento das ruas, a tensão de sobreviver em um espaço de conflitos, tendo uma vida pública, exposta e vulnerável. Coisa que as pessoas que moram em suas casas e seguem padrões “convencionais” não irão entender.

A outra revolução é interna e só depende da própria malucada. É juntar as cinzas do que resta e renascer. A malucada nunca foi uma coisa fixa. Ela é mutante, se adapta, canibaliza, sobrevive. E neste momento é importante que a malucada resgate o sentimento de irmandade, de confiança um no outro. Temos muitos adversários e lutar entre nós mesmos é o que o inimigo quer. É preciso canalizar toda raiva, toda nossa revolta e direcionar para algo construtivo, mirando bem no alvo, sem perder tempo destruindo a nós mesmos.

Construir dá trabalho. E há irmãos e irmãs que não querem se responsabilizar. Para estes, é mais fácil ser pessimista, dizer que nada vai dar certo, que a realidade não vai mudar e que a luta é perda de tempo. É preciso também respeitar eles, não são pessoas más, só estão perdidos, sem esperança. Obviamente se sentem incomodados em ver tantos lutando, fazendo o que eles não tiveram a atitude de fazer. Mergulhados na água morna da normalidade, são alternativos apenas na forma, mas vazios na essência. Pra quem cansou de dormir e decidiu se levantar, só resta ter paciência, trabalhar no propósito e aguardar o despertar natural de cada um.

No primeiro encontro das BR, realizado entre os dias 7 e 11 de agosto, a malucada trabalhou bem as duas revoluções, a institucional e a interna. Ocupando a feira da torre, vivemos como uma família, compartilhando a comida, a música, nossa arte, dialogando sobre os problemas que enfrentamos e as possíveis e impossíveis soluções para eles.

Essa vivência foi a base para chegar forte na reunião com o Ministério da Cultura e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Foi decidido que os anciãos falariam primeiro e assim, cada um foi dando seu depoimento, compondo assim a narrativa histórica ao longo das décadas, de como a malucada surge e como ela vai se transformando, as interferências do estado e como ele sempre esteve contra o movimento.

Em síntese, de tudo q foi dito, resta a convicção de que a malucada não precisa de assistencialismo. Ninguém ta pedindo uma “bolsa maluco” ou qualquer favor do governo. Não precisa fazer o bem, basta não fazer o mal.

A malucada deve seguir independente e marginal, essa é sua essência. E esse é o grande desafio, dialogar com o governo e manter sua identidade, sem deixar ser cooptada.

A possibilidade mais clara que surge é a parceria com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), realizando um inventário cultural e a partir disso requerer o titulo de patrimônio imaterial da cultura popular brasileira.

E esse é o próximo passo do caminho. O Iphan precisa de uma carta coletiva, assinada por no mínimo 100 malucos, onde se solicita o inicio da pesquisa que pode culminar no inventário cultural.

O conteúdo desta carta deve ser construido coletivamente, para se ter legitimidade. E o próximo passo é articular o seu conteúdo, quando, onde e por quem ela será escrita.

E finalizando, os encaminhamentos e conquistas da reunião com o Ministério da Cultura e o Iphan foram:

– O compromisso da Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural (do Ministério da Cultura) em articular a causa da malucada, marcando futuras reuniões e/ou interferindo a nosso pedido.

– A abertura do Iphan em receber a carta e analisar o pedido de inventário cultural

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